Wednesday, April 15, 2020

Agência de George Soros afirma que crise do coronavírus é o momento perfeito para abolir a família.

Todo mundo já ouviu a afirmação de que os comunistas travam uma guerra contra a instituição da família. Essa é uma afirmação martelada a todo momento, tanto que já nos acostumamos a associar essas alegações com políticos de discurso tradicionalista, religiosos ou conservadores militantes.
As vezes porém associar essas afirmações com tais figuras nem sempre resulta em credibilidade para a tese, a qual, depois de muito repetida, parece até soar como fake news ou outro exagero alarmista de blogueiros de direita.
Ocorre que essa impressão não poderia estar mais equivocada, e por esses dias veio justamente da fundação de George Soros a confirmação de que sim, a esquerda e os comunistas tem um projeto declarado de desmonte da instituição familiar.
Em março desse ano foi publicado um texto denominado: a crise do coronavírus mostra que é hora de abolir a família. Tal texto foi publicado na rede Open Democracy, um veículo de propriedade de satanás, digo, de George Soros, o qual visa promover os ideais deturpados do pós modernismo.
No texto a militante Sophie Lewis nos brinda com seus comentários sobre o que ela chama de mistificação do casamento, a romantização do parentesco e a higienização do espaço fundamentalmente inseguro que é a propriedade privada.
No texto ela dispara comentários sobre o trabalho reprodutivo não remunerado, uma bizarrice que os marxistas lançam mão para dizer que as mulheres são vítimas da mais valia dentro de seus próprios lares, porque trabalhariam como cozinheiras, lavadeiras e reprodutoras.
Há certamente muito mais na teoria marxista que evidencia a noção do trabalhador como mero burro de carga. Na teoria da mais valia, por exemplo, Karl Marx afirma que o patrão remunera o trabalhador apenas com o mínimo necessário para que este continue vivo e trabalhando. Sim, ele de fato vê o trabalhador de fábrica como um mero bovino a quem o proprietário entrega uma contagem diária de ração. Essa ideia absurda é provavelmente resultado de que Karl Marx jamais em toda a sua vida colocou os pés em um chão de fábrica, nem para trabalhar, nem para conhecer a vida dos que trabalhavam.
Para melhor apresentar os pensamentos marxistas sobre a instituição familiar, vamos a um breve trecho do manifesto do partido comunista que ilustra bem o conceito aqui apresentado:
Para o burguês, sua mulher nada mais é que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumentos de produção serão explorados em comum, conclui naturalmente que ocorrerá o mesmo com as mulheres. Não imagina que se trata precisamente de arrancar a mulher de seu papel atual de simples instrumento de produção.
Nada mais grotesco, aliás, que a virtuosa indignação que, a nossos burgueses, inspira a pretensa comunidade oficial das mulheres que adotariam os comunistas. Os comunistas não precisam introduzir a comunidade das mulheres. Esta quase sempre existiu. Nossos burgueses, não contentes em ter à sua disposição as mulheres e as filhas dos proletários, sem falar da prostituição oficial, têm singular prazer em cornearem-se uns aos outros.
Sim meu caro senhor bovino gadoso. Nesse e em outros trechos Marx deixa claro que a propriedade comunal dos meios de produção se estende também ao útero e tudo o mais que as senhoras suas esposas utilizam na fabricação de nenéns.
Em momentos de crise é que a real faceta do marxista é completamente exposta. Claro que em tempos mais sóbrios os militantes de carteirinha não falarão disso com todas as letras numa Folha de São Paulo, mas ainda assim o projeto permanece bastante vivo e ativo esperando a brecha trazida por uma crise. E se essa crise vier de um problema que teve origem em um país comunista... tanto melhor.
Como bônus da visão reformista de Karl Marx e George Soros o texto da open democracy ainda acrescenta:
Infelizmente, ainda existem muitas outras populações cuja resposta à pandemia não poderia ser 'ficar em casa', mesmo que quisessem, além dos sem abrigo: por exemplo, pessoas armazenadas em prisões, centros de detenção, campos de refugiados ou dormitórios de fábricas, pessoas presas em lares de idosos superlotados ou detidos contra sua vontade em instalações médicas e / ou psiquiátricas. Se o COVID-19 for incompatível com essas instituições, no sentido de que uma resposta humana à pandemia é impossível nesses espaços não democráticos, então terá demonstrado da mesma forma que eles são incompatíveis com a dignidade humana.

Ironia das ironias, mas no mesmo texto eles conseguem apontar para o lar como um produtor de violência generalizada contra gays, mulheres e outras minorias, mas no decorrer do que escrevem deixam claro que os indivíduos mais violentos devem ser destrancafiados para cometer agressões até piores do que aqueles que eles afirmam ocorrerem nos lares.
Enfim, em tempos de crise, mostrar essas horrorosidades e opor-se a qualquer política minimamente vermelha é dever daquele que preza pelos seus direitos naturais. É portanto necessário que verdades como essas sejam amplamente conhecidas para que nenhum comunista possa chamar de fake news quando um indivíduo pacífico denuncia seus projetos mais sórdidos.

Wednesday, January 22, 2020

O Brasil nunca foi socialista, deturparam Marx e outros contos da carochinha.

Deixarei aqui, apenas para fim de registro, um texto sobre o qual não tecerei muitos comentários, visto seu propósito e interpretação serem tão evidentes que só um marxista seria capaz de distorcer.


Já antes vimos que o primeiro passo na revolução operária é a elevação do proletariado a classe dominante, a conquista da democracia pela luta.
O proletariado usará a sua dominação política para arrancar a pouco e pouco todo o capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção na mão do Estado, e do proletariado organizado como classe dominante, e para multiplicar o mais rapidamente possível a massa das forças de produção.
Naturalmente isto só pode primeiro acontecer por meio de intervenções despóticas no direito de propriedade e nas relações de produção burguesas, através de medidas, portanto, que economicamente parecem insuficientes e insustentáveis mas que no decurso do movimento levam para além de si mesmas e são inevitáveis como meios de revolucionamento de todo o modo de produção.
Estas medidas ** serão naturalmente diversas consoante os diversos países.

Para os países mais avançados, contudo, poderão ser aplicadas de um modo bastante geral as seguintes:
1.
Expropriação da propriedade fundiária e emprego das rendas fundiárias para despesas do Estado.
2.
Pesado imposto progressivo.
3.
Abolição do direito de herança.
4.
Confiscação da propriedade de todos os emigrantes * e rebeldes.
5.
Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo.
6.
Centralização do ** sistema de transportes nas mãos do Estado.
7.
Multiplicação das fábricas nacionais, dos instrumentos de produção, arroteamento e melhoramento dos terrenos de acordo com um plano comunitário.
8.
Obrigatoriedade do trabalho para todos, instituição de exércitos industriais, em especial para a agricultura.
9.
Unificação da exploração da agricultura e da indústria, actuação com vista à eliminação gradual da diferença *** entre cidade e campo.
10.
Educação pública e gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho das crianças nas fábricas na sua forma hodierna. Unificação da educação com a produção material, etc. ****

MARX, Karl, O manifesto comunista, Manifest der Kommunistischen Partei), 1948.
https://www.pcp.pt/sites/default/files/documentos/1997_manifesto_partido_comunista_editorial_avante.pdf

Monday, November 4, 2019

Tecnologias e criptomoedas contra a tirania estatal.

As vezes, uma má notícia para as pessoas converte-se em uma nova solução tecnológica, um novo produto, uma nova forma de empreendedorismo, uma nova solução anti-estado.
A notícia veiculada pelo portal criptofácil: "Venezuelanos criam hardware para transacionar Bitcoin durante apagões" é um dos bons exemplos desse aparente paradóxo. o empreendedor Randy Brito está encabeçando o projeto Locha Mesh, que visa oferecer soluções para que os venezuelanos continuem a utilizar bitcoins mesmo durante apagões da rede elétrica venezuelana, onde os indivíduos ficam impedidos de acessar a internet.
A Locha Mesh criou dois protótipos até agora, chamados Turpial e Harpy, ambos agindo como pequenos roteadores que não precisam de WiFi. Em vez disso, eles transmitem mensagens pelo “mesh”, até que um deles tenha conexão com a internet. Brito explica:
“Estes dispositivos permitem o comércio [durante um apagão] ao tornar possível aos usuários enviar e receber pagamentos utilizando a rede Bitcoin. Estes dispositivos são fáceis de carregar e esconder, por questões de segurança.”
Em março, estes dispositivos criaram um sistema experimental que funcionou durante 22 horas consecutivas, até mesmo conectando os dispositivos Harpy com satélites da Blockstream e disponibilizando conectividade para outros usuários por meio do dispositivo Turpial. Logo em seguida, surgiu o foco em viabilizar pagamentos rápidos e pequenos, utilizando a Lightning Network
O velho Karl Marx dizia que o capitalismo continha em si mesmo o germe da sua destruição. De acordo com o cosplayer de satanás, a própria economia capitalista trazia consigo a assenção da classe do proletariado, qual classe tomaria o lugar de protagonista da história.
Porém, o que é facilmente constatável é que na verdade o estatismo é que contém em si mesmo o germe da sua destruição. Ora, tanto maior for o estatismo e o modus operandi despótico dos governos, maior será o ímpeto para que a livre iniciativa floresça com a resolução de um problema, gerando valor para os indivíduos. Não surpreende portanto que a tecnologia das criptomoedas seja muito mais demandada em países absurdamente despóticos como a China.
Fato é que mesmo antes da popularização do bitcoin, certas tecnologias já representaram praticamente a salvação para alguns indivíduos em situação de penúria. No Quênia e em alguns outros países da África subsaariana em 2011 já era conhecido uma modalidade de pagamento por sms denominada m-payment. Naquele ano a quantidade de usuários desse sistema no Quênia já estava em torno de 10 milhões.
Graças ao uso massificado, quenianos podem pagar praticamente todas as suas contas com o celular. Desde a padaria, corridas de táxi e compras online por telefone, até receber salários e remessas de valores de parentes que vivem no exterior. Tudo com a segurança dos sistemas informatizados.
Alguns quenianos migraram para o sistema para evitar assaltos. Simplesmente não precisam mais carregar dinheiro.
O sistema é tão simples e seguro que quando adotado para pagar a força policial no Afeganistão, estes comentaram surpresos que haviam ganho um aumento. Não é verdade. Apenas diminuiu a corrupção, e agora eles recebem os valores integralmente.
Hoje é fato que as formas alternativas de pagamento representam o calcanhar de aquiles do estatismo. Outro episódio bastante ilustrativo dessa realidade pode ser visto nos eventos recentes da eleição na Argentina. O volume de Bitcoins negociados no dia 26 de outubro foi da ordem de 14.151.046 BTC, enquanto no Brasil no mesmo período foram negociados 1.103.571 BTC de acordo com dados compilados pela Coin.Dance. Não só isso, mas no dia 30 de outubro verificou-se que o bitcoin na Argentina já estava 30% mais caro do que no resto do mundo. Dadas as duras restrições do banco central, que forçam os cidadãos a “afundar no navio”, parece provável que o Bitcoin se torne ainda mais atraente para aqueles que vivem em circunstâncias econômicas cada vez mais terríveis, leia-se, socialismo.
Sim, por um lado é realmente lamentável que sujeitos pacíficos tenham de se preocupar com decisões aleatórias de políticos que podem com uma canetada arrasar a vida de milhões de famílias. Contudo, no longo prazo essas insanidades estatistas vão resultar em uma quantidade tão volumosa de soluções anti-sistema que será possível constatar de forma inequívoca que ao contrário do que Marx dizia sobre o capitalismo, é o socialismo e o estatismo que se auto-destruirão por que já contém em seu âmago as sementes da sua própria ruína.

Monday, October 14, 2019

Stanislav Petrov, o soviético que evitou a terceira guerra mundial

A guerra fria foi um delicado período da nossa história, no qual as potências antagonistas (Estados Unidos e União Soviética) buscaram rivalizar em poderio econômico e militar, culminando na derrota do sistema socialista.
No entanto, uma coisa que muitos ignoram é que, no auge da guerra fria, em diversos momentos o mundo chegou bastante próximo de um desastre de proporções bíblicas.
A gravidade da ameaça era tanta que alguns cientistas do Bulletin of the Atomic Scientists criaram um relógio simbólico chamado relógio do juízo final, ou Doomsday Clock, cuja posição dos ponteiros representava o quão perto a humanidade estava da meia-noite, o ponto que simbolizava seu próprio extermínio.
À medida em que uma guerra nuclear entre as duas potências da guerra fria se tornava mais ou menos plausível, os ponteiros do Doomsday Clock mudavam de posição, as vezes para frente, as vezes para trás, sempre sincronizados com os rumores de guerra e os perigos do momento.
Um dos episódios de maior perigo aconteceu em uma noite fria de 26 de setembro de 1983 na União Soviética.
Nesse dia o tenente coronel Stanislav Petrov tinha a incumbência de monitorar os alarmes do espaço russo que alertariam o país em caso de lançamento de mísseis pelos seus adversários.
E numa aparente confirmação das previsões mais sombrias da guerra fria, naquele dia o alarme soou e um dos subordinados de Petrov anunciou: “Senhor, há um míssil nuclear no radar, os americanos estão nos atacando”.
Petrov, frio como só um russo consegue ser, tomou um copo de água e disse: "aguarde, ainda não vamos avisar o alto comando".
O tenente coronel desconfiava de um mal funcionamento no sistema de radar soviético, e assim, teve de tomar uma difícil decisão.
Ocorre que se uma bomba nuclear fosse realmente disparada contra Moscou, o projétil levaria vinte e três minutos para atingir seu alvo. Então nesses vinte e três minutos Petrov teria que avaliar a real seriedade da ameaça.
Petrov considerou que não fazia sentido que os Estados Unidos disparassem um único e solitário míssil contra a URSS, já que o contra-ataque contaria com mais de cem ogivas. Assim, se os Estados Unidos queriam de fato arruinar a URSS, a guerra teria de ser de destruição total, sem dar chances de reação.
Acontece que cinco minutos depois o radar acusou a aproximação de mais dois mísseis, aparentemente confirmando a gravidade da situação, o que fez fervilhar ainda mais os já exaltados ânimos da equipe de monitoramento. Ainda assim, Petrov insistiu para que o alto comando não fosse informado.
Mesmo quase enfrentando um motim, Petrov precisava a todo custo evitar o pânico. Pois uma vez que a elite do partido comunista soubesse o que se passava, ninguém mais agiria racionalmente, e nesse caso a URSS temerariamente poderia dar o primeiro tiro em uma guerra de destruição mútua.
A avaliação do tenente coronel estava certa, e os mísseis norte-americanos nunca chegaram, já que não passavam de um bug no sistema de programação dos radares soviéticos.
Assim, se a humanidade não mergulhou na terceira guerra mundial em 1983, em grande parte isso se deve a Stanislav Petrov.
Mas como você deve imaginar, mérito não é algo com que os socialistas lidem muito bem.
Mesmo que ele tenha salvado suas vidas e seu país, os soviéticos jamais homenagearam Petrov. E isso não era de se surpreender, dado que esse episódio demonstrava que as vezes era melhor tomar as rédeas da situação e deixar a elite do partido comunista de fora do problema.
Além disso, seria simplesmente uma vergonha admitir que a tão elogiada ciência soviética era tão bugada que quase desencadeou o apocalipse.
E falando em apocalipse, vale lembrar que evaporar cidades inteiras não é o único nem o principal motivo de preocupação de uma guerra nuclear.
Na época da guerra fria, um grupo de cientistas liderados por Carl Sagan calculou as consequências de longo prazo que um conflito dessa magnitude teria, e o principal risco destacado pelos pesquisadores foi o surgimento de um inverno nuclear causado pela liberação de partículas pesadas na atmosfera.
De forma semelhante ao acontecimento que dizimou os dinossauros, essas partículas que as armas nucleares jogariam na atmosfera filtrariam a luz solar, fazendo com que o planeta escurecesse e esfriasse, trazendo temperaturas abaixo de zero por vários meses, até mesmo durante o verão.
Assim, as pessoas que eventualmente sobrevivessem por estar longe da área atingida pelas bombas talvez não conseguisse suportar as provações resultantes da detonação das bombas.
Mas mesmo no cenário mais otimista, considerando que o hemisfério sul não seria atingido de maneira tão rigorosa quanto o hemisfério norte e que talvez países como o Brasil conseguissem lidar um pouco melhor com as consequências da crise nuclear, é fato que a vida na terra mudaria drasticamente.
E em certo sentido, se um bug em um computador soviético não ocasionou o fim do mundo, em muito isso se deve à postura de Stanislav Petrov, que pelo contexto, tinha tudo para simplesmente avisar seus superiores e tirar de suas próprias costas a responsabilidade por tomar aquela fatídica decisão.
Acho que realmente devemos ser gratos pelo fato de que nem todos os comandantes soviéticos eram loucos psicopatas.
Como um bônus, fica também o registro de que esta não era a primeira vez que o apocalipse batia às portas. Durante a crise dos mísseis de Cuba, Vasili Arkhipov também desempenhou um papel semelhante ao de Petrov. Acontece que durante o bloqueio a Cuba, ele era um dos três oficiais com poder decisório em um submarino soviético equipado com torpedos nucleares.
Na ocasião, durante o período mais sensível do conflito, o submarino havia perdido o contato com Moscou, e os tripulantes não sabiam se a guerra efetivamente havia começado.
Mas o uso do armamento nuclear era uma espécie de recurso final, e que precisava da concordância dos três oficiais mais graduados da operação.
E pra nossa sorte, mesmo com dois oficiais votando por torpedear os americanos com armas nucleares, coube a Vasili Arkhipov o bom senso de vetar a manobra e impedir a desastrada atitude de seus camaradas.
Seus camaradas, a propósito, não tinham um perfil tão responsável. Valentin Grigorievitch Savitsky, um dos comandantes da missão, não apenas concordou com o uso dos torpedos nucleares, como também acreditava que essa era a única ação que poderia salvar a honra da mãe Rússia.
Enfim, a guerra fria tem inúmeras curiosidades como essas, inclusive com algumas crises protagonizadas pelo lado americano do conflito, mas infelizmente não se pode resumir toda a história da guerra fria à um único texto. 

De todo modo, vale sempre a pena colocar tais fatos em perspectiva, já que com o passar dos anos, as pessoas parecem ignorar que por vezes, bastava que um único homem tivesse apertado um botão para que tudo fosse pelos ares, colocando a perder toda a história do planeta e da própria humanidade.

Tuesday, October 1, 2019

Joshua Norton - o primeiro e último imperador libertário

No dia 08 de janeiro de 1880, em São Francisco, Califórnia, morreu Joshua Abraham Norton, o homem conhecido como primeiro e único imperador dos Estados Unidos.
Seu corpo foi transportado por uma carruagem e cerca de 30 mil pessoas acompanharam o enterro. Até hoje, sua lápide apresenta os seguintes dizeres: Norton I, imperador dos Estados Unidos.
Mas essa não é a história americana que te contaram e você deve estar se perguntando: afinal, como poderiam os Estados Unidos ter um imperador, quando no século XIX eles já eram uma república?
Então senta, que lá vem a história.
A nossa jornada tem início em 1818, na Inglaterra, quando nasce Joshua Abraham Norton.
De uma família abastada, Norton acabou por imigrar para os Estados Unidos em busca de oportunidades de negócios. Durante alguns anos ele conseguiu administrar bem suas finanças, mas em 1852 uma crise no preço do arroz seria sua ruína.
Acontece que ele buscou negociar uma expressiva quantidade de arroz, apostando na alta dos preços por conta da escassez. Todavia com a chegada de seguidos carregamentos de arroz na região, o preço caiu de forma estrondosa, arruinando as finanças e possivelmente a sanidade de Norton.
Sete anos depois, Joshua Norton apareceu na sede do jornal San Francisco Bulletin portando uma declaração para que fosse publicada. Nela, Joshua se declara Norton I, imperador dos Estados Unidos, convocando as autoridades para a cerimônia de sua coroação.
Desse dia em diante, Norton I passou a andar pela cidade com um uniforme de imperador, um chapéu de plumas, uma bengala e as vezes uma espada. Sua rotina consistia em acordar cedo e inspecionar o funcionamento da cidade, desde a limpeza municipal até o funcionamento dos bondes.
Já os seus decretos eram um show a parte, com um conteúdo que seria apreciado por muitos libertários. Suas primeiras proclamações determinavam o fechamento do congresso nacional e a extinção dos partidos democrata e republicano, que Norton considerava serem um antro de corrupção.
Durante a guerra de secessão, Norton chegou a encaminhar decretos para ambos os lados exigindo o fim das hostilidades e uma saída pacífica para o conflito.
O imperador Norton cativou profundamente os habitantes de São Francisco, sendo respeitado e até aclamado pelo povo local.
Os comerciantes ofereciam refeições para o imperador, vagas gratuitas no transporte ferroviário e até mesmo entradas para espetáculos de teatro.
Mas Norton estava quebrado e não exercia atividades remuneradas. Então, para cobrir despesas como o quarto de uma simples hospedaria, Norton passou a emitir títulos do império, ao custo de cinquenta centavos, em que ele prometia pagar ao portador o dinheiro corrigido na data do vencimento.
Ironicamente, quando os títulos já estavam para vencer, e sabendo que não teria dinheiro para pagar, Norton emitiu novos títulos com novas promessas, fazendo uma pedalada fiscal digna dos bancos centrais modernos.
Mas a verdade era que ninguém esperava receber pagamento pelos títulos emitidos por Norton. As pessoas trocavam livremente o seu dinheiro pelos papeis do imperador somente com o desejo de assegurar que ele tivesse suas necessidades supridas.
Na verdade, esses papeis acabaram por se tornar artigos colecionáveis, e mesmo hoje eles chegam a ser negociados por uma quantia considerável.
O apoio que o imperador recebia dos comerciantes e da população local se traduzia em prosperidade para a cidade, que começou a atrair turistas que queriam tirar fotografias e ouvir o que o homem tinha a dizer.
Norton tinha ideias ambiciosas que só seriam realizadas quase um século depois. Ele até mesmo defendeu que os negros tivessem direito a frequentar escolas públicas e usufruir do sistema de transportes, precedendo em quase cem anos as conquistas de Martin Luther king.
Durante seus 21 anos de reinado, Norton continuou a escrever decretos e a enviar correspondências para as autoridades políticas. Em uma delas, ele ofereceu casar-se com a rainha Vitória e unificar novamente os dois reinos.
Muito se discute se o próprio Norton se levava a sério, se era louco, ou se só fazia das suas peripécias para ter um meio de vida.
Fosse qual fosse o caso, a população via em Norton mais do que um entretenimento. Via nele um símbolo de protesto contra o governo central corrupto.
No fim das contas não é difícil saber o porque da população local simpatizar tanto com Joshua Abraham Norton. Os homens que de fato ocupam a função de rei ou cargos similares vem sujeitando a humanidade aos piores males desde tempos imemoriais.
Já Norton não detinha nenhum poder político real, mas era isso que o tornava bem visto. Por ser quem era, a população de forma voluntária o tratava como rei e o cumprimentava nas ruas com toda a cerimônia. E o imperador, é claro, retribuía a gentileza, até distribuindo títulos de nobreza, principalmente para as crianças, que ele gostava bastante.
Os jornais declaravam o seguinte sobre Norton I:
“Norton foi em seu tempo um respeitável comerciante, e desde que ele vestiu o Manto Imperial ele não derramou nenhum sangue, não roubou ninguém e não pilhou país nenhum, o que é mais do que pode ser dito de qualquer outro nesse ramo.”
Na cultura pop, Norton foi retratado em um quadrinho do personagem Sandman, da DC Comics. Nessa história, a humanidade é influenciada por sete entidades que correspondem a algum aspecto da existência, conhecidos como os sete perpétuos.
Nesse arco, após Norton ir a falência, a entidade desespero desafia outra entidade, o sonho, a salvar aquele pobre homem.
A entidade aceita, e dá a Norton um propósito: o sonho de ser o imperador dos Estados Unidos.
Assim, Norton passa a ser o louco que acreditava ser o imperador dos estados unidos, mas foi essa loucura que o manteve são.
Ainda assim, mesmo em uma HQ, a morte era o destino que esperava Norton.
A entidade morte, um dos perpétuos de Sandman, veio também para Norton e o acompanhou até a vida após a morte, observando que de todos os imperadores, rainhas e reis do mundo que ela tinha tomado, ela gostava mais dele.
Essa história é de autoria do célebre Neil Gaiman, retratada no arco espelhos distantes, cuja leitura é mais que recomendada.
De toda essa história, fica aquele sentimento indescritível de que seria muito melhor que os imperadores e reis fossem realmente como Joshua Norton, um homem que ninguém pode acusar de violar os direitos individuais de terceiros.
Mas, quem sabe no futuro, todos os mandatários estatais não venham ser de fato como Joshua Norton?
Se nossas estimativas estiverem corretas, em breve o estado poderá estar impossibilitado de ultrapassar as barreiras de privacidade das tecnologias descentralizadas, impedindo o confisco de bens na forma de tributos.
Então, talvez o imperador Norton cumpra um propósito quase profético, prefigurando que, sem o poder de impor seus próprios decretos, os políticos muito em breve estarão fadados a tornarem-se meras curiosidades turísticas vestidas com um chapéu espalhafatoso...
Esse sem sombra de dúvidas é um sonho digno de ser sonhado.
 
http://emperornortontrust.org/emperor/life
https://sandman.fandom.com/wiki/Norton_I
https://contraditorium.com/2018/08/16/o-rei-dos-malucos-beleza-joshua-norton-imperador-dos-estados-unidos/
http://mundotentacular.blogspot.com/2019/07/norton-i-vida-e-o-reinado-do-primeiro-e.html
https://odisseialiteraria.com/norton-i-america-s-first-emperor
https://oblogtextaculos.wordpress.com/2009/09/19/norton-1-o-imperador-dos-estados-unidos/
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/joshua-norton-comica-trajetoria-do-primeiro-e-unico-imperador-dos-estados-unidos.phtml
https://history.uol.com.br/noticias/os-estados-unidos-ja-tiveram-um-imperador

Wednesday, August 28, 2019

Startup brasileira vai acabar com a burocracia na assinatura de documento e registro de

Levar papelada no cartório mais próximo, reconhecer firma, aguardar atendimento, recolher assinatura pessoalmente – muitas vezes envolvendo um custo adicional no processo. Essas são etapas comuns de quem deseja assinar um contrato com validade jurídica hoje no Brasil. Isso levando em conta as grandes metrópoles, onde há uma quantidade maior de cartórios espalhados pelo País. Se levarmos em conta os cantos mais remotos, esse simples procedimento se torna ainda mais custoso e burocrático.
No Brasil, cartórios não são só ineficientes. Também são dispendiosos e a expressão mais visível da burocracia tupiniquim. O trunfo cartorário por aqui é trabalhar com uma presunção absoluta de má fé, onde uma afirmação do cidadão não tem validade se não for lavrada em cartório em três vias com reconhecimento de firma e com um exército de testemunhas, pagando antecipadamente todas as taxas, é claro.
Felizmente, novas tecnologias e uma cultura baseada na ética tem tudo pra cessar esse pesadelo. Conforme destaca a reportagem, com o Truth você tem a liberdade de realizar todo esse procedimento online, economizando tempo e dinheiro.
Uma assinatura de contrato num modelo tradicional pode levar até 10 dias para ser concluído. No modelo proposto pelo Truth da Lunes, em alguns minutos é possível enviar um contrato para a plataforma, definir as responsabilidades de cada um – quem assina e quem é testemunha, por exemplo e enviar para recolhimento das devidas assinaturas. Tudo online, com o acompanhamento do processo por meio da plataforma e por e-mail. Sem burocracia e com um custo-benefício muito atraente: assinar um contrato neste modelo pode representar uma economia de 90% em relação ao modelo tradicional.
Há muitas outras razões pra se comemorar iniciativas como estas. No Brasil o montante arrecadado pelos cartórios se iguala ao volume financeiro das empresas de pedágio. Além disso, apesar de em teoria os tabeliães não serem funcionários públicos, estes tem uma relação de simbiose com a máfia tupiniquim. A título de exemplo, são os tribunais de justiça os responsáveis por definir o tabelamento de preços dos cartórios. Parte do que os cartórios arrecadam também é repassado aos tribunais estaduais.
Por vezes essa simbiose ainda dá lado a situações mais bizarras, como o caso da comarca de Primavera do Leste, onde o juiz nomeou como interventor no cartório um amigo pessoal. A denúncia traz como evidências fotos do advogado na residência pessoal do juíz e aponta também "pré julgamento" do magistrado na decisão de afastar a cartorária. “No mínimo, já havia prejulgamento pelo juiz denunciado, tanto que, comprovando o prévio ajuste entre o juiz representado e o interventor, este já compareceu, ato contínuo, no cartório, com os carimbos dele e dos interventores que nomearia como substitutos”, diz trecho da denúncia.
Situações como essas acontecem por que, dada a burocracia estatal e o monopólio, hoje um cartorário pode ter mais rendimentos até que o teto do funcionalismo, que atualmente é de R$ 39.293,32.
Outro motivo para desejar o fim dos cartórios para ontem é que, vejam só, numa discussão a cerca dos elevados rendimentos dos monopolistas, um representante da categoria dos cartorários afirmou que 80% das receitas dos cartórios acabam nos cofres do estado. Portanto, eles mesmos atestam mais um de muitos bons motivos para que o mal seja cortado pela raiz.
Claro que a iniciativa da Startup Lunes tem um grande potencial para resolver problemas como esses, mas algumas perguntas ainda são pertinentes. Como a Lunes lida com a questão da descentralização? Como se sabe, esta é uma das principais vantagens do bitcoin.
De momento, ao menos a reportagem não relata como a Lunes poderia lidar com o famigerado ataque de 51% que já atingiu algumas criptomoedas tal como o de 2018 contra a Monacoin e o bitcoin gold. No entanto, o próprio bitcoin no passado parecia estar muito mais sujeito a este tipo de vulnerabilidade, como em 2014, quando a empresa de mineração em nuvem Ghash.IO estava perigosamente perto de 50% da porcentagem total de hash. Hoje é quase irreal acreditar nessa possibilidade com a rede descentralizada do Bitcoin.
Acompanhemos portanto o desenrolar dos acontecimentos.

Fonte:
https://veja.abril.com.br/economia/jp/startup-brasileira-vai-acabar-com-a-burocracia-na-assinatura-de-documento-e-registro-de-autenticidade/

Tuesday, August 27, 2019

Barão de Mauá, o mais célebre capitalista brasileiro

Na última década, conforme o brasileiro foi perdendo o encanto pelo socialismo, um nome passou a ser rememorado pelos entusiastas do livre mercado: Irineu Evangelista de Souza, ou Barão de Mauá, o título pelo qual ficou conhecido o primeiro capitalista brasileiro.
Você já deve ter ouvido uma ou duas coisas sobre esse importante personagem da nossa história, mas você sabe quem de fato foi o Barão de Mauá?
Nasceu em 1813 em uma família pobre do Rio Grande do Sul. Seu pai foi morto por ladrões de gado e, como as coisas eram difíceis, sua mãe o enviou para trabalhar com um parente no Rio de Janeiro.
O rapaz desde cedo mostrava habilidades para os negócios. Aos 16 anos já era sócio de um comerciante europeu que trabalhava com tecidos e outros produtos importados da Inglaterra.
Por volta dessa mesma época, o Brasil começou a estabelecer políticas protecionistas. Em 1844, foi aprovada a tarifa Alves Branco, que taxava pesadamente produtos importados com tarifas que podiam chegar a 60%.
Foi aí que Irineu investiu uma grande soma da compra de uma propriedade em Niterói, chamada ponta de areia, que ele conseguiu transformar na maior empresa de fundição do Brasil. Nesse empreendimento, produzia-se de tudo, desde navios, canhões e até canos de ferro. Parte dessas mercadorias viria a ter um papel bastante importante anos à frente na guerra do Paraguai, que Mauá costumava chamar de maldita guerra.
Foi também nessa época que Mauá começou a demonstrar estar muito a frente de seu tempo, já que na compra desse imóvel Mauá libertou os 28 escravos da propriedade e contratou trabalhadores ingleses especializados para os serviços que passariam a realizar.
Nessa época o governo brasileiro chegou a contratar com a empresa de Irineu uma grande encomenda de canos de ferro para canalização do rio Maracanã, mas já nesse episódio Mauá enfrentou resistência dos legisladores, que se mostravam inclinados a dar um calote mesmo já tendo recebido os canos para as obras.
Esse foi o primeiro grande empreendimento de Mauá, mas naturalmente não seria o último.
Em 1851, Irineu deu início ao primeiro banco privado do país. Sua habilidade na área mostrou-se singular e poucos anos mais tarde ele já estava expandindo suas atividades bancárias com ajuda de associados ingleses.
Tão expressivo foi o sucesso de Mauá no setor bancário que logo ele conseguiu manter filiais em diversas cidades importantes mundo afora como Londres, Paris, Manchester, Nova York, Montevidéu, Buenos Aires, dentre outras.
Em 1854, o intrépido capitalista investiu em dois grandes projetos: uma Companhia de Navegação a Vapor, que era a mais avançada tecnologia em matéria de navegação marítima, e um projeto de iluminação pública no Rio de Janeiro com lampiões a gás. Tal projeto de iluminação era um enorme upgrade, já que a iluminação bruxuleante da época funcionava à base de óleo de baleia que oferecia uma iluminação não muito impressionante.
Também dessa mesma época foram feitos os famosos investimentos de Mauá no setor ferroviário, inaugurando de início os primeiros 14KM de uma estrada de ferro brasileira.
Reza a lenda que na inauguração das obras da estrada de ferro, Mauá teria entregado ao imperador Dom Pedro II uma pá de prata para que ele simbolicamente iniciasse os trabalhos da ferrovia. Porém, dizem alguns que, como a cultura da época não via com bons olhos o trabalho braçal, o gesto teria despertado uma antipatia entre Mauá e o imperador.
Há quem confirme e há quem negue essa faceta vingativa do imperador, com bons argumentos para ambos os lados. Mas para desgosto de Mauá, um ano depois o imperador Dom Pedro II também inaugurou sua própria linha férrea, que em muitos trechos corria em paralelo com os trilhos de Mauá. Como a linha do imperador era deficitária e funcionava com subsídios, isso teria impactado significativamente os lucros que Mauá esperava receber da sua ferrovia.
Em paralelo, o governo brasileiro também entregou uma concessão de uma rodovia a ser construída cobrindo basicamente locais que Mauá já explorava e o trânsito de pessoas e mercadorias por essa estrada também impactou a clientela do Barão.
Enfim, proposital ou não, o fato é que o Brasil tinha uma extensão continental e pareceria adequado aplicar uma estratégia de descentralização destinando essas obras de infraestrutura em localidades que ainda não fossem atendidas por uma linha férrea próxima.
Os Estados Unidos aplicaram muito bem essa lógica de descentralização e em pouco tempo a produção americana viajava por infinitas léguas a bordo das mais diversas empresas ferroviárias.
Claro que nesta mesma época Irineu recebeu de Dom Pedro o título de Barão, algo que os monarquistas sempre fazem questão de lembrar como argumento de que não havia perseguição do império contra Mauá.
Todavia, com ou sem títulos de nobreza outorgados pelo estado, fato é que diversas decisões do governo brasileiro mostraram-se deletérias para os empreendimentos de Mauá.
Em maio de 1875, Mauá pediu um empréstimo ao banco do Brasil para enfrentar um quadro episódico de crise financeira. O banco do Brasil negou o empréstimo e Mauá teve que abrir falência.
O que é estranho é que apesar da crise circunstancial, os investimentos de Mauá eram sólidos, tanto que vendendo seus ativos e liquidando o passivo, Mauá terminou com um saldo positivo de um milhão de libras esterlinas, uma boa fortuna para a época.
Mas se os ativos de Mauá superavam tanto o seu passivo, por que ainda assim ele não conseguiu o empréstimo para atravessar aquele mal momento?
Bem, é difícil saber, mas tal como já mencionamos no início, o certo é que o capitalista sempre teve opositores e Mauá sabidamente tinha alguns desafetos no legislativo brasileiro.
Enfim, embora enfrentasse circunstâncias adversas, Mauá tem o mérito de tentar levar nas costas um país cuja cultura ainda era escravista e que não poderia ser mudada por um único homem, por mais talentoso que fosse.
Quem conhece um pouco de história americana sabe que, no fim do século XIX, os Estados Unidos passavam por um boom de inovação e investimento industrial.
Já por aqui, tivemos poucos homens dispostos a olhar para o futuro, razão pela qual Mauá acabou abraçando todas as demandas brasileiras, desde fundição, ferrovias, esgoto, iluminação e até sistema financeiro. E tudo isso muitas vezes com o estorvo estatal.
Apesar dos pesares, a história de Mauá certamente deixa várias preciosas lições para investidores e para aqueles que querem entender o Brasil.
Mauá desde cedo teve muitas influências dos ingleses, dos quais sempre buscou inspiração. Isso pode explicar em grande medida a razão de Mauá ser tão diferente do brasileiro padrão.
Mauá sempre fazia questão de enfatizar o espírito de associação inglês, que naquele momento já havia proporcionado centenas de léguas de trilhos nas terras da rainha. Um feito que, aliás, haveria de ser repetido e até superado nos Estados Unidos.
Mas então... por que esses projetos, que deram tão certo entre ingleses e americanos, deram tão poucos resultados aqui no Brasil?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares.
Uma das possíveis explicações vem do sociólogo Max Weber, que enxerga uma correlação entre o capitalismo britânico e uma ética protestante de poupança e trabalho duro.
Como não podia deixar de ser, essa interpretação de Weber é alvo de críticas. Aqueles que discordam da sua tese fazem questão de lembrar que nem todo país protestante enriqueceu e nem todo país católico permaneceu pobre.
Posto isso, não diremos que a explicação de Weber é a explicação definitiva, mas vista pelas lentes dessa tese sociológica, a história do Barão do Mauá parece ganhar alguns contornos interessantes...
Ironicamente, ao longo de sua história, o Brasil produziu tão poucos casos de sucesso que o Barão de Mauá chega a ser visto como o melhor de nossos capitalistas, mesmo que tenha morrido falido.
Em contrapartida, a cultura anglo-americana enaltece a inovação e o nome dos homens que moldaram a economia mais forte do mundo.
Pobre Brasil, que mata os seus capitalistas!
Enfim, essa foi uma abordagem bastante resumida da história de Irineu Evangelista, o famoso Barão do Mauá.
Será que cinco homens iguais a ele nascendo juntos no século XIX teriam a força suficiente para mudar o destino do Brasil?
Infelizmente nós jamais saberemos.

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